Esmarn: servidores participam de capacitação sobre violência doméstica

O combate à violência doméstica é um problema recorrente no âmbito do Poder Judiciário. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), foram registrados 2.598 casos de violência em 2018. Em razão desse grave problema social, a Escola da Magistratura do RN (Esmarn) realizou, nesta segunda-feira (18), o curso “Para além da Violência Doméstica: a busca por um sentido e o seu enfrentamento”, voltado para servidores do Judiciário potiguar.

Segundo o psicólogo Carlos Henrique Cruz, formador do curso, o tema trabalha questões que envolvem a violência intrafamiliar e é relevante porque capacita o servidor para lidar com as vítimas e com os autores da agressão. “O profissional precisa olhar para a relação entre agressor e vítima como uma conexão mútua, porque se o servidor prioriza apenas o autor ou a vítima ele não está sendo imparcial e é preciso estar neutro, porque é uma relação profunda e dolorosa para ambos”, explicou.

O psicólogo falou ainda que a relação precisa ser explorada, ajudando o autor da agressão e a vítima a se desconectarem desse modelo de relação violenta e passarem a se relacionar de uma maneira diferenciada.

A vítima precisa se empoderar e sair deste lugar que ela ocupa, de ser oprimida, superando crenças anteriores e limitantes que acabam se cristalizando e levando a uma repetição de padrões ruins. Os profissionais foram treinados para ajudar essas pessoas, levando-as a refletir sobre sua postura”, completou.

De acordo com Lucineide Medeiros, coordenadora do Núcleo de Orientação e Acompanhamento aos Usuários e Dependentes Químicos (Noade), que participou da capacitação, o Poder Judiciário precisa promover um olhar diferenciado para os casos de violência doméstica, capacitando seus profissionais. “O Noade está entrando na seara de violência doméstica, através dos grupos reflexivos para homens e percebemos o quanto esse trabalho é importante. Precisamos ainda olhar o lado da vítima e não trabalhar apenas o lado do autor da violência, porque a agressão ocorre dos dois lados”, comentou.

Já para a servidora Cláudia Melo, psicóloga, que também atua no Noade, os grupos reflexivos com foco nos agressores dão oportunidade de fala para eles, que geralmente não têm esse espaço para relatarem como se chegou ao ponto da violência e que situações foram vivenciadas ao longo de suas vidas que culminaram no perfil violento. “Com o grupo, os agressores passam a perceber que são de fato agressivos, porque muitos não tinham consciência disso. É um espaço de fala que faz a diferença na continuidade da vida do agressor, contribuindo para que o caso não reincida”, relatou.

Cláudia Melo falou ainda sobre a importância da capacitação e reafirmou a necessidade de que o Judiciário coloque este tema como prioridade, tratando os casos com base numa ótica restaurativa e social.

* Com informações da Escola da Magistratura

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